A ligação com você na Terra

A caminho o irmão me disse, que me aguardava uma surpresa da qual me falara antes de eu ir à escola.
Eu estava muito curioso e não conseguia imaginar o que seria.
Eu era grato porque agora receberia uma vez um pouco de alegria; eu olhei o irmão e pedi para não deixar-me esperar por muito tempo.
“Escuta”, ele disse, “Foi me permitido por espíritos mais elevados, acompanhá-lo até a Terra para assistir ali uma sessão.
“Lá, na sessão, você reverá alguém que conheceu na Terra.”
“Meus pais?” perguntei imediatamente, “você me ajuda a alcançá-los?”
“Não, nenhum dos seus parentes, mas quando fizermos a ligação você logo o reconhecerá.”
“Ah”, eu disse, “então eu sei de quem você está falando.”
O irmão sorria.
“Jozef” exclamei, “nenhum outro poderia me dar esta grande felicidade, ele é alcançável.”
Eu senti bem, pois o irmão falou: “É ele que visitaremos.”
Então peguei ambas as suas mãos e o agradeci intensamente.
“O seu próprio líder me encarregou disso, mas há mais surpresas, porém elas vêm depois.”
Nisso eu não tinha pensado nem um pouco; então era uma surpresa grande de verdade.
“A quê devo isso, irmão?”
“A você mesmo, você desenvolveu tanto, que podem fazer você vivenciar isso, mas mais surpresas virão.”
Cheio de felicidade retornei ao meu próprio meio.
O sol radiava para mim e os seus raios tomei com vontade.
Somente agora comecei a viver como é esplêndido poder sentir isso!
“Como já expliquei antes, eu poderia ter o levado de volta a Terra, mas com isso se iam perder todas aquelas experiências que você passara agora.”
Eu entendi o irmão e achei maravilhoso que o meu desenvolvimento estava acontecendo gradualmente.
”Nós agimos isso deve lhe estar claro, segundo a sintonização e a força interior que o Homem tem.
Passo a passo você entrou aqui, mas outros que se coloquem diante do fato, se perderão a si mesmos por um bom tempo.
Mas também isso foi calculado, aqui nada se faz ou, se sabe como se faz.
Porém, outros devem e vão recair e esse recair é necessário, porque de outra maneira eles não são alcançáveis.
Mas então eles levantarão e começarão de novo.
Eu lhe esclareço isto, para que você possa sentir que cada sintonização humana é uma situação pessoal, segundo agimos.
Naquele momento, eu lhe disse que dentro de você havia alguma posse.
Essas forças então me habilitaram a agir dessa forma e mostrar-lhe a nossa vida.
Assim nós avançamos sempre adiante, até você alcançar a primeira esfera e passar para outras mãos.”
“Devo então deixar o senhor?” perguntei admirado.
“Nunca nós nos separaremos, ficaremos e continuaremos eternamente um, unidos intimamente, mas você fará o serviço como faço eu e muitos outros.
Nós partiremos brevemente.
Agora deixo-o só e venho buscar-lo depois.”
Você pode imaginar Jozef, que eu estava feliz agora, que iria revê-lo e agora você sabe, ao mesmo tempo, porque o deixei esperar tanto por mim.
Mas como seria uma sessão, eu não tinha a mínima idéia.
Na Terra, eu não vivenciei isso, porque tinha medo e achava que era obra do Diabo, mas agora sentia a grande graça disso.
Não precisei esperar por muito tempo e logo pudémos partir.
Rápido, chegámos à Terra.
O irmão foi à minha frente e entrámos numa sala.
Vi várias pessoas juntas, sentadas em volta duma mesa, em que havia uma cruz de madeira e uma tábua onde havia as letras do alfabeto.
Você, naturalmente, conhece os atributos para uma sessão.
Porém, naquele momento não entendi nada, mas logo senti o que significava essa cruz e tábua.
Eu vi muitos espíritos elevados, mas por mais que eu espiava, não via você.
Isso para mim foi um grande desapontamento.
Mesmo assim, eu não estava decepcionado, porque, o irmão me contou a causa depois.
Um desses espíritos elevados era o líder de todos.
Era o mestre, sob a sua alta liderança você está, mas não é o seu líder, e sim, o mestre de todos esses espíritos elevados.
Você sabe o que eu quero dizer.
A sessão já tinha começado e nós devíamos aguardar, pacientemente, o tempo, porque me dariam a oportunidade de dizer alguma coisa.
Em volta de todas essas pessoas, havia uma bruma azulada, que as fechou totalmente para esse mundo.
Para os milhares de espíritos que viviam na esfera da Terra, essas pessoas, que faziam parte da sessão, eram invisíveis.
O irmão disse a mim: “Para nós é uma grande graça entrar em ligação, como também é para os da Terra.
Muitos na Terra tentam fazer essa ligação.
Outros acabam por sofrer, porque as suas ligações, em que trabalharam há anos, são desligadas por pessoas terrenas que usam o espiritismo para o sensacionalismo.
Eles vêem destruído o seu trabalho de anos.
Mas, ai, deles se quebram estas ligações de propósito, eles carregam luta e tristeza nos ombros, por destruir a felicidade de outros.
Eles esquecem que os mestres vêm à Terra - essa esfera de paixão e violência – para lhes fornecer alimento espiritual.
Eles esquecem a dificuldade da nossa vida e também da vontade com que nós entramos em contato com os nossos parentes.
São eles, Gerhard, que levam sofrimento e tristeza onde poderiam levar felicidade.
Esse mestre, que se liga a eles, é da sétima esfera.
Dessa forma, os homens terrenos são ligados espiritualmente, e muitas provas de prosseguimento de vida são entregues a eles assim.
Mesmo assim, muitos não ficam contentes e pedem sempre mais provas.
Quando, porém, essas provas não vêm segundo eles o espiritualismo não tem valor, estragou-se a sua noite e perdeu o interesse por isso.
Eles não sabem como é difícil trazermos sempre as provas desejadas por eles.
Deles se deseja que se desfaçam, por algumas horas, da sua personalidade.
Essas ligações são feitas através de concentração e vontade.
Quando os seus queridos podem ficar, por um tempo curto, ao lado deles, não só são muito felizes, como também tiram força daquilo, para se desenvolverem ainda mais.
Quando, também, eles vierem se unirão para sempre.
Mas muitos, de nós, estão sofrendo porque aquelas ligações lindas foram rompidas.
Isso acontece de muitas maneiras.
Em primeiro lugar há aqueles que usam o espiritualismo para sensacionalismo.
São eles que se fazem passar por instrumentos, falsificam o nosso mundo e enganam as pessoas.
Mais tarde, quando entrarem nesta vida passarão por muito sofrimento.
A seguir, tem aqueles que não querem abrir-se e se sentem demais.
Para todas essas pessoas é melhor não dar início com isso, pois eles não sabem que o chão em que pisam é santo e que se precisa atravessar um abismo enorme, aquele que se abre entre a vida terrena e a vida eterna.
Agora, olhe bem o que acontecerá.”
Vi muito bem que um espírito elevado se apoderou de uma pessoa terrena.
Era uma pessoa de meia idade que servia como médium.
Para mim era um tanto estranho, principalmente vendo-o do lado de cá.
O espírito que radiava uma luz linda que revestia todo o seu ser tentou apoderar-se do corpo físico.
Claramente vi o espírito descer no Homem físico e sumir, enquanto as duas radiações se ligavam como estivessem se misturando.
Eu entendi, por perceber as duas radiações, que o Homem na Terra teria que ter uma radiação sentimental igual, para poder existir a possibilidade de alcançar aquela pessoa.
Se ele tivesse outra radiação, uma que não se misturasse, então não haveria nenhuma possibilidade de manifestar-se pelo instrumento terreno.
Como é grande a graça para o espírito, de poder usufruir de uma pessoa terrena, um corpo físico.
O irmão me disse, que eu senti isso corretamente e que ele me ajudou, atuando sobre mim em silêncio.
Isso ele faria sempre.
Eu também senti que o espírito deixaria um sentimento esplendido de felicidade naquela veste terrena, quando deixasse aquele corpo.
Agora vi que o espírito terreno ia deixar o seu próprio corpo físico.
O médium foi apanhado por espíritos de amor, que o levaram fora do círculo para levá-lo às esferas, onde seria lhe mostrada a vida espiritual.
Carregado de sabedoria espiritual, ele retornaria à Terra.
Mas, de repente, a pessoa que saiu, retornou num flash e se chocou com o seu próprio corpo.
Foi um choque horrível, que depois nós sentimos tremer dentro do nosso próprio corpo.
O que tinha acontecido?
Eu senti que houve interferência, mas de onde ela veio, não pude afirmar.
O corpo físico encolheu pelo retorno rápido do espírito, suou, seu coração bateu no pescoço.
Isso eu vi e senti claramente e entendi como era difícil para ambos os seres.
Também o líder espiritual, o espírito, que foi tocado do corpo físico, sentiu essa ocorrência horrível, como se fosse retirado com força daquele corpo.
O médium acordou com um choque terrível, como já disse, mas foi amparado por ajuda terrena.
Do nosso lado se ministravam passes longos sobre o seu corpo físico, assim ele se acalmou um pouco e respirou algo mais fundo.
Eu senti o grande perigo desse acontecimento.
Outra inteligência disse, através da cruz e tábua, o que tinha acontecido.
O espírito concentrou-se naqueles que seguravam a cruz e todas aquelas pessoas foram desligadas em sentimento, para que ele pudesse falar com eles.
Agora, em volta da cruz havia uma bruma densa azulada e ela era composta de forças espirituais e terrenas, radiações de espírito e Homem.
Agora, senti que o grande espírito se concentrava e a cruz começou a se mover.
Claramente vi as letras que foram soletradas, todas aquelas letras formavam palavras e aquelas palavras formaram sentenças e assim o homem soube o que aconteceu.
Como era simples também para mim, esse acontecimento estranho era quase incompreensível.
Os que estavam sentados à mesa, falavam as letras e quando receberam a mensagem toda, leram para todos os outros e para o médium, tranquilizando-o, porque ele estava estressado.
“Nós fomos”, eu ouvi “perturbados pelos elementos.”
Elementos, pensei, o que significa isso agora?
Os que estavam sentados à mesa pelo jeito sabiam, mas eu, que vivia aqui, neste lado, não sabia de nada.
O irmão disse que eu precisava concentrar-me nele e, quando o fiz, entendi o grande acontecimento.
Eu ouvi um trovejar muito forte, e caiu uma tromba d’água.
Com essas forças da natureza, houve uma interferência.
Curioso que eu não tinha ouvido nada disso.
“Você vê”, disse o irmão, “tudo é ligação e concentração, tudo isso você ainda aprenderá.”
Nisso, disse o líder, através da cruz, que eles iriam incorporar no médium.
Eles não podiam deixá-lo nessa situação, por que o seu sistema nervoso ficaria perturbado.
Todos deviam se sintonizar e se concentrar; também tinham que rezar.
Depois ouvi o líder elevado dizer ainda: “Esta interferência não é culpa nossa, pois as preocupações terrenas é que são as forças contrariantes.
Nós fizemos o nosso cálculo e esta interferência acabará quando o médium quiser dar-se totalmente e puder livrar-se de tudo.”
Nós todos, neste lado, rezávamos e também os que sentavam à mesa estavam mergulhados em oração.
Esse momento para mim foi santo; algo lindo assim, ainda não tinha vivenciado.
Atrás de mim, estavam centenas de espíritos infelizes, que podiam assistir a essa sessão e chegaram em silêncio.
O irmão me chamou à atenção, pois eu ainda não os tinha visto.
De novo o espírito tentou se ligar ao Homem físico.
Agora foi melhor e mais fácil e logo vi o médium sair e a viagem às esferas se iniciara.
“Bom Deus, como são grandes os dons que os homens recebem do Senhor!”
Assim eram os meus pensamentos quando vi este altíssimo se completar.
Depois vivenciei de novo outro milagre.
Vi brilhar no rosto físico a radiação do espírito elevado, assim os presentes o perceberam claramente.
Chegou um momento santo e curvámos as nossas cabeças.
Pois eu vi que os sentados à mesa não se curvavam tanto quanto nós, neste lado.
Eles não sabiam nem viam quem falava a eles.
O vulto reluzente que tinha incorporado o corpo físico, agora começava a falar através daquele mesmo corpo.
A voz do instrumento estava suave e mudada; eu tinha ouvido o médium falar, antes, com outra voz.
O espírito fez uso dos órgãos terrenos e, o falar, conseguiu-se totalmente.
A inteligência falou aos sentados à mesa e eles receberam uma aula espiritual, uma mensagem desta vida.
Tudo tratava do amor e o grande significado daquilo.
Foi-lhes ensinado como deveriam viver quando chegassem às esferas da luz.
A inteligência falava de sua vida nas esferas e na Terra.
O espírito já vivia nas esferas há mil e seiscentos anos, eu tremi ao tomar conhecimento disso.
Eu pensei: “Ah, homem, ai de você, que suja e destrói esta vida!”
Somente agora entendi as palavras do meu próprio mestre, de que teriam que sofrer aqueles que cortassem, de propósito, estas ligações.
Foi para mim uma aula bonita e instrutiva e quando foi encerrada eu vi que o médium tinha retornado e descia ao seu corpo de novo.
O médium acordou numa situação elevada e se sentia feliz.
Depois eles puderam colocar questões e pedir orientações para doenças e outras preocupações terrenas.
Então, um médico espiritual foi à frente, porque também era um espírito elevado e respondia a todas as perguntas.
As cartas fechadas foram respondidas diretamente e depois eram abertas e via-se que era dada a resposta certa.
Isso achei muito estranho, eu não saberia fazer isso e entendi, como todos aqueles espíritos estavam distantes de mim.
Eles não só sabiam o que o Homem terreno perguntava, mas também era feito o diagnóstico correto.
Eu ouvi os que se sentavam à mesa, dizerem maravilhados: “Como é possível; eles sabem tudo.
Para eles não há segredos.”
Aquele que foi atendido estava muito grato.
Outras perguntas terrenas foram respondidas por outras inteligências.
Depois pude entrar na roda e assim pude fazer ouvir a minha voz, pela primeira vez na Terra.
Que isto foi uma sensação para mim, não preciso dizer-lhe!
Mas do modo como eu me concentrava, não conseguia nada.
Então, o elevado mestre disse aos que sentavam a mesa: “Ele ainda não passou por isso, vocês têm que ajudá-lo.”
Então ouvi dizer: “Podemos ajudá-lo?”
Uma senhora com uma irradiação bonita me fez esta pergunta; ela tinha uma voz amorosa.
“Sim”, soletrei.
Os meus pensamentos vinham aos solavancos e graças a Deus que eles me entendiam.
Pois eu senti sim, que fui ajudado pelo espírito elevado.
Eu disse: “Diga ao Jozef, que eu estou aqui; ele me conhece e sabe quem sou.”
Mas eu não disse o meu nome e só disse: “O cocheiro, assim ele saberá.”
“Bom”, disse a senhora que falou comigo, “eu passarei a sua mensagem.”
Eu a entendi literalmente.
Ah, eu podia beijar a sua veste, de tão alegre que estivesse por ela querer passar a minha mensagem a você.
Eu sei o quanto você estava decepcionado por eu não ter dito nada da nossa conversa, mas isso vem depois e isso também lhe será claro.
Nessa sessão, eu o senti, reinava muita felicidade.
Eu vi dois espíritos que viviam ao nosso lado e de quem as esposas ou entes queridos estavam no círculo.
Como são fortes estas ligações, não preciso lhe contar.
Eles viviam e o Homem na Terra sabia desta vida e por isso estavam ligados um com o outro.
Durante algumas horas eles estavam juntos, muito intimamente.
Com a ajuda do meu mestre, eu tinha entendido tudo isso.
Como é imensamente grande o espiritualismo, como são lindas as sessões, assim!
Aqui era recebida sabedoria através da cruz, mas nós podemos fazer isso de diversas outras maneiras, como me disse o irmão.
Por exemplo, por uma mesa que soletra o alfabeto através de batimento.
Isto é um meio muito simples para fazer ligação.
Como tremi e vibrei quando o irmão me contou isso, pois eu sabia como, naqueles tempos, zombei daquela mesinha.
Mas tudo isso agora estava longe, atrás de mim e agora entendi como o Homem pode ser ignorante.
Com uma oração encerrou-se esta noite; noutra altura eu poderia retornar.
Quanto esplendor eu pude viver na esfera da Terra!
E agora, pensei, Deverei retornar a minha própria esfera?
Eu não sabia, mas após a nossa partida o irmão disse: “Agora vou lhe explicar a vida física, sobre o que você tem estudado na escola; venha, siga-me!”
“Então nós não retornaremos?”
“Por enquanto ficaremos na esfera da Terra.”
“Então não verei o Jozef agora?”
“Sim, depois!”
Pois o depois era o dia seguinte, porque antes eu iria vivenciar outras situações.
Nós passeávamos pelas ruas como se ainda vivêssemos na Terra.
“Nós somos espíritos”, disse o irmão, “e mesmo assim podemos viver tudo o que o Homem físico vive na Terra.
Nós passamos a sua vida e o que o Homem vivencia, sente e vê, nós vivenciamos também.
Assim como nós podemos nos ligar numa sessão, é possível também na vida normal.”
Agora vi a vida terrena mais nítida do que quando eu vivia na Terra.
Agora via através de tudo e antes eu não o podia.
Eu via as pessoas e com elas a pessoa astral.
Agora entrávamos num prédio terreno onde havia muita gente e onde eu ouvia música.
Essa música soava rangendo, gritando estridente e batucando nos ouvidos.
Onde nós estávamos?
“Num cinema”, disse o irmão, “Porém nós não ficaremos aqui, eu queria lhe deixar claro que também isso podemos vivenciar.”
Eu vi muitos espíritos e todos estavam aqui para ficar olhando ou para proteger os seus entes queridos.
Achei essa apresentação, visto deste lado, muito desnatural.
Eu senti o zombar da vida; havia algo naquilo que continha um perigo grande para a vida espiritual.
O Homem queria distrair-se e foi, dessa forma, lhe oferecido distração.
Eu sabia que também através de filme, a vida espiritual pode ser mostrada.
O que eu via agora, porém era apenas sensação, aqui foi mostrado algo que em espírito não tinha valor e nem força educacional.
Isso era paixão pura.
Assim, o Homem era influenciado e contagiado em seu sentimento.
Em volta do Homem havia muitos demônios.
Eu vi seres animalescos que eu não tinha visto ainda neste lado.
“O Homem terreno”, disse o irmão, “não pode se esconder para esses seres.
O Homem astral procura distração e eles só encontram isso se ligando ao Homem na Terra.”
Como tudo era natural.
Eu ouvia nitidamente os sons de vozes físicas, eu via tudo, como o Homem o vivenciava em seu corpo físico.
“Como é esplêndido vivenciar isso neste lado”, eu disse ao irmão.
Eu vi a vida na Terra como ainda não a tinha conhecida.
Fomos, agora, a outros locais que, anteriormente, eu nunca teria visitado.
O irmão queria que eu conhecesse o animalesco no Homem, é que eu reveria seres assim nas esferas escuras.
Ele me esclarecia tudo e eu tremia de tanta animalização.
Eu vi o Homem que tinha destruído a si mesmo e outros.
Em silêncio, agradeci a Deus por eu não ter conhecido isso durante a minha vida física.
Vi muitos homens e mulheres juntos.
Como eles se tinham afundado.
Muitos homens caíram nas armadilhas que foram armadas para eles.
Eu sabia que esses homens ainda viviam na Terra mas via isso deste lado e era horrível.
Nós olhámos através deles e sentimos o que eles queriam e vímos, atrás daquelas máscaras, a paixão e a animalização.
Como o Homem pode se esquecer tanto assim!
“Esses seres”, disse meu acompanhante, “afundaram demais e neste lado só verão a profundeza de sua própria vida escura e terrível, o que significará, para eles, somente miséria.”
À volta e dentro deles eu vi os seres astrais; eles mantiveram as mulheres entrelaçadas: o animal que viveu na Terra e à Terra retornou.
Eles vivenciavam uma vida semelhante à da Terra, na altura em que eles ainda viviam no corpo físico.
Eles se afundavam na lama cada vez mais e permaneciam ali por muitos anos, até começarem, um dia, outra vida.
O quanto todas aquelas pessoas, tinham a se desfazer?
Quando eu comparava a sua vida à minha, eu era um santo.
E mesmo assim eu não tinha nenhuma posse.
Eu olhava numa escuridão profunda e tremia quando pensava naquela miséria toda.
Ah, se os homens soubessem que nunca estão sozinhos, iriam fechar-se para tudo aquilo que é terrível!
Cada pensamento que curtem e emitem é captado e assim eles atraem aquilo que eles mesmos querem e com isso prosseguem.
Então, não há mais ser algum que possa livrá-los.
Também aqui não ficamos muito, pois eu não me teria aguentado de pé.
Dessa maneira, conhecia leis espirituais que eu tinha aprendido na escola.
Agora eu estava na verdade da vida e dentro de mim sentia aquelas forças assim como, se eu tivesse vivendo ainda na Terra, eu não teria participado disso.
Por uma existência terrena curta, vi o Homem pobre destruir a sua vida eterna.
Aqueles que curtem um desejo de felicidade caseira, onde homem e mulher se entendem e desejam fazer algo da vida terrena e quando têm e podem educar um filho, isso é a felicidade mais alta e ao mesmo tempo a graça maior que Deus pode doar ao homem.
Para isto vive-se na Terra ; essa é a mais alta das situações humanas.
Isso é felicidade grande e santa, isso é o caminhar da vida, que todas as pessoas caminharão um dia.
Eu vi a vida na Terra de dia e de noite, quando o Homem estava mergulhado em repouso profundo.
Justamente aí, o animal astral assalta o Homem que vive em pecado, para lhe sugar os sucos vitais.
Tudo isso o irmão me esclareceu.
O Homem astral se enrosca na mente humana e satisfaz os seus desejos, porque os homens pensam que eles mesmos se querem satisfazer.
Em alta noite, o Homem mata e rouba por paixões próprias, motivados por forças astrais.
Mas também quando o sol brilha, não dá para segurar as forças animalescas.
Uma vez feita a ligação se mantém essa ligação e tudo será vivenciado, quando o Homem se entrega.
“Você então sente”, assim falou o irmão para mim, “que muito deverá ser mudado ainda, antes de eles quererem ser filhos do nosso santo Pai.”
Depois visitámos várias igrejas e outros prédios e entendi que somente o espiritualismo poderia modificar os dogmas.
Os espíritas fizeram a ligação entre nós e a Terra.
Agradeci ao irmão por essas explicações.
Agora ele me mostrou algo muito curioso: era a passagem duma pessoa a este mundo.
Nós atravessámos as casas e em uma delas nós ficámos.
O irmão disse: “Olhe, nossos irmãos estão aí, os espíritos ajudantes, que fornecem amparo espiritual aos que estão morrendo.”
Nós nos encontrávamos num quarto amplo onde estava deitado um homem idoso, que não viveria por muito mais tempo.
Ao lado da cama estavam sentados vários parentes que choravam, porém, o homem que iria passar, não tinha completado uma vida grandiosa.
Vi os vultos que também eu tinha percebido ao meu leito de morte, eram os ajudantes espirituais deste lado.
Cada pessoa que passa, é ajudada dessa forma.
Mas não havia só espíritos ajudantes, mas também aqueles que já viviam neste lado e o fariam passar por sofrimento e tristeza.
“Esse moribundo”, disse o irmão, “será aguardado por muitos e todos apresentarão as contas, daquilo que foi malfeito a eles.”
Isto não é uma perspectiva esplêndida, pensei.
“Venha, vamos adiante.
Eu poderia lhe mostrar muitos leitos de morte, mas isso vem depois.
Na escola já se falou disso a você e agora poderá entender tudo melhor.
Este homem não é um dos felizes, que aqui chegam.”
Depois vivenciei muitas outras sintonizações, situações humanas, que me foi contado na escola.
Agora entendi todas aquelas passagens; de outra forma não seria possível.
Então, ele me levou a um lugar e foi o mais bonito que vivenciei durante o meu passeio terrestre.
Nós entrámos num cômodo (Port. assoalhada) onde tinha um homem escrevendo, o que eu pude ver claramente.
Eu queria ver o rosto do homem que estava lá trabalhando; ele estava de costas para nós, mas o irmão me segurou.
“Fique”, ele disse, “aqui você não pode perturbar.”
Em torno dele eu vi, através da força do irmão, um vulto luzente que o inspirava.
“Olhe,” disse o irmão, “isto é uma ligação limpa; aquele, que escreve, é um médium em nossas mãos.
Ele está recebendo e escrevendo aquilo o que o seu líder acompanhante, ou controle, como se diz, quer passar-lhe, mas antes ele o vivenciou neste lado.
Este médium sai do seu corpo físico e recebe a nossa vida espiritual, como lhe foi mostrado na sessão.
Porém ele sai ciente do seu corpo físico, o que é dado só a alguns.
O ser que você vê ao lado dele é um espírito da quinta esfera, um mestre de luz.
Antigamente eu já estive ligado a esse líder e pude executar tarefas.
Você vê, Gerhard, que o médium é ligado intimamente com a nossa vida e com o seu mestre.
Ele nos serve de instrumento e seu líder quer convencer os homens, da nossa vida.
Nós não podemos perturbar, por isso o impedi de chegar mais perto.”
Há alguns metros de distância do lugar, eu fiquei a observá-los.
“Ah, quanta graça poder receber isso,” eu disse ao irmão.
“Esse homem, em sentimento, está muito distanciado da Terra.
Ele viu as esferas e já desceu ao Inferno, para vivenciar a vida de lá, porém acompanhado do seu líder.
Todos aqueles acontecimentos ele registrará e você vê como isso pode acontecer.”
Vi a bruma azul que estava em volta do homem terreno, como uma parede de força espiritual.
Lá dentro, não se podia penetrar; ele estava trancado para o nosso mundo.
“Uma ligação linda”, eu disse ao irmão, “algo mais lindo você não poderia me mostrar.”
Agora eu senti algo diferente, era como se eu me sentisse atraído por ele.
Eu não sabia o significado disso e não queria, nem ousava perguntá-lo, por medo que estivesse a imaginar alguma coisa.
Mesmo assim, eu não consegui me livrar daquele sentimento que entrou em mim, tão de repente.
Eu não consegui me segurar, para contar ao irmão o que eu sentia e então eu disse: “Eu recebi um sentimento muito marcante, o que eu não tenho coragem de lhe contar, porque eu não quero me enganar.”
“O que é, Gerhard, me conta à vontade.”
E quando o irmão me sorriu senti, que ele sabia algo mais.
“Quando eu o olhar, verei Jozef, pode ser?”
“Escute Gerhard”
“Aquele que está ali registrando a nossa vida é o seu amigo na Terra, que antes de você passar, lhe contou sobre a nossa vida.”
Eu apertei a mão do irmão, de tanta felicidade.
“Jozef!
É o Jozef?
Que felicidade poder revê-lo desta forma.”
Lágrimas brotavam dos meus olhos.
Como é grande o espírito que o lidera e o significado dessa mensagem!
Uma tarefa gloriosa.
Agora, posso dizer-lhe tudo isso, Jozef.
Quando lhe vi pela primeira vez, eu não pude; eu podia apenas assistir.
Eu senti respeito pelo líder elevado e amor por você.
Então chegou um momento, que eu achei que ia sucumbir.
O espírito elevado se virou, de repente, olhou para mim e sorriu.
Ele sabia que nós estávamos aqui e o contato foi desligado.
Você se levantou e foi embora.
Você saiu da bruma azul, invisível para a Terra, passeou através de mim e o ouvi suspirar pelas emoções, que você passou e pela força da inspiração.
Eu me assustei muito, porque eu pensei: Agora ele me verá.
Mas ah, que decepção , você não me via, também, você fazia, como se eu não estivesse ali.
Também, você estava cego, mas você, todavia, não era clarividente?
Eu o chamei pelo nome, mas você não me ouviu.
Surdo, pensei também ele está surdo e cego.
Mas ele não é um instrumento abençoado?
“Ele é clarividente?” perguntei ao irmão.
“Não só clarividente, como também, pode ouvir as nossas vozes.”
“Mas ele não me ouviu, quando eu o chamei pelo nome, ao passar, e ele passeou através de mim, como se eu não estivesse ali.”
Eu estava atônito!
Então, você voltou e ainda não me via nem me ouvia.
Como eu estava triste.
Aquele, que me contou desta vida e disse que via espíritos, na verdade não via nada, estava cego e surdo, como todas as outras pessoas.
Assim, eu, não aprendi na escola!
Como eu quis falar com você, é que eu senti seu impulso e sua vontade forte, para conhecer a nossa vida.
Senti que você sabia mais daquilo do que eu, que já estava vivendo aqui.
Você colocava todas as suas forças neste trabalho, se abria como criança; qualquer um podia se aproximar de você.
Mesmo assim, estando aberto, para mim e muitos outros, você estava fechado.
Nenhum ser, nenhum espírito poderia alcançá-lo, além daquele que o liderava.
Você logo estava ligado novamente, e, em alta velocidade, os seus dedos corriam a máquina de escrever.
Naquela situação, eu não podia mais senti-lo, em sentimento você estava longe de mim.
O seu corpo físico fazia o trabalho, o seu espírito era puxado para esta vida.
O irmão me fez sentir tudo isso, senão eu não teria entendido.
O irmão me chamou à atenção para as telas que você recebeu deste mundo e um novo milagre foi me mostrado.
Cada peça tinha a sua própria radiação.
Depois, quando eu admirei todas aquelas obras, eu sentei perto de você e fixei direto o olhar para você.
Eu não consegui tirar os meus pensamentos de você.
Mesmo assim, me choquei com algo, eu não podia penetrar a bruma; por nada deste mundo você era interrompido.
Maravilhoso, pensei.
Ambos eram um só o mestre, que estava ao seu lado se tinha ligado a você em sentimento.
Eu senti que eram um de alma, um de desejo, uma só vida.
Por revê-lo assim, algo se rompeu dentro de mim: era o desejo de ser assim, também.
Sim, isso eu queria aprender.
Eu poderia ainda alcançá-lo?
O homem que já na Terra, recebe a ligação espiritual e vive em conformidade, está bem adiantado em relação ao espírito deste lado.
Quando os tormentos físicos se terminam, eles vão àquelas regiões afastadas, muito acima da Terra.
São homens abençoados que já conhecem, na Terra, uma vida eterna.
Mais uma vez, Jozef, só se eles vivem em conformidade, senão tudo isso não tem significado algum.
“Sim”, exclamei de repente, “quero ser como ele.”
Eu já disse: algo rompeu em mim, algo nasceu e acordou, eu queria aprender.
“Quero me tornar como ele, eu quero ver e sentir como ele!”
“Você o receberá, Gerhard”, disse o irmão, “você vai trabalhar para outros, assim como ele já faz na Terra.”
“Eu quero sentir a vida que ele vive, sim, aquela vida quero conhecer.
Você me ajuda?”
“Você já está fazendo”, respondeu o irmão, “e logo você começará.”
“Mas porque ele não me vê?” perguntei.
“Isso lhe esclarecerei, escute: esse instrumento só vê quando o seu líder assim o entender.
Então ele vê pela vontade deste espírito elevado.
Isso ele aprendeu durante os anos em que se efetuou esta ligação.
Ele só se abre quando o seu líder o julgar necessário.
Você o vivenciará mais tarde.
Nessa situação, ele não pode ser interrompido.
Ele passeou através de você e, mesmo assim, não o sentiu: também, ele não teria dito nada a você, nem se o sentisse ou percebesse.
Ele vê só sob ordem superior e se fecha para tudo.
Se ele não soubesse fazer isso, milhares de seres astrais se aproximariam dele rapidamente e destruiriam a sua ligação espiritual.
Um instrumento assim é precioso.
Tão cedo não haverá mais algum médium tão desenvolvido.
Eu conheço o seu líder há muito tempo, porque eu pude trabalhar para esse mestre.
Com isso, eu sei como ele o trabalha e o fecha para todos esses perigos, assim, não tem como destruí-lo.
Mesmo chamando-o muito alto ele não o ouvirá, pela simples razão que o seu líder não quer.
Quando essa ligação terminar, você poderá alcançá-lo, mas também, só quando o líder dele permitir.
O Homem que serve aos poderes elevados, como instrumento, deve possuir um sistema nervoso forte e poderoso; quando eles são fracos, não podem ser preparados para esse serviço.
Se surgisse uma perturbação entre espírito e corpo físico, você deve sentir, sim, aonde iriam levá-lo.
Mas eu já lhe disse, se escolhe com tato e habilidade esses instrumentos e ainda assim, surge um grande número de forças diferentes que podem atuar uma contra a outra.
Um médium como ele, em primeiro lugar, deve ter uma confiança muito grande e uma fé forte.
Depois, muito amor pelo nosso trabalho e vontade para servir a humanidade.
Quando eles se entregam sem restrição e deixam tudo na mão dos seus líderes não podem se apresentar fatores interruptores.
Eles devem se entregar em tudo, quer dizer: desligar-se totalmente e, este desligar, não é tão simples; isso é a mediunidade, assim, um instrumento é alcançável.
A seguir, me escute bem, um médium para se desenvolver, quanto mais alta é a esfera onde possa entrar, maiores serão os perigos, é que o instrumento fica aberto para muitos tipos de forças.
Você tem visto a vida na esfera da Terra e lhe mostrei o mundo astral, agora eu lhe pergunto: é milagre que o seu líder lhe feche para ver os seres, somente quando ele achar necessário?
Mais uma vez, devem ter um sistema nervoso forte, senão podem apresentar perturbações, e várias doenças físicas surgirão.
Não se esqueça que todas aquelas passagens que você aprendeu na escola, ele pôde vivenciar por sair do corpo.
E ainda assim, ter que viver na Terra, custa-lhe esforço, muito e muito esforço.
Se esse instrumento se sentisse como Homem - você entende o que eu quero dizer com isso - não seria possível para ele poder desligar-se de toda aquela vida na Terra.
Mas, em sentimento, ele se entrega ao seu líder como criança.
Isso é necessário e nisso está o segredo de poder realizar isso tudo.
É entrega Gerhard, uma confiança muito grande e fé; é amor por nós e pelo Homem na Terra, é querer transformar o sofrimento e a tristeza num reencontro gostoso e calmo neste lado.
Isso é servir, nada além de servir.
Esse sentimento há nele.
Ele, o seu amigo, em sentimento vive ao nosso lado.
Ele se dá totalmente e fará isso sempre.
Para isso, ele recebe nossa sabedoria e com aqueles tesouros espirituais ele retorna à Terra, como agora que está ocupado em registrar tudo por escrito.
Ele está repleto da nossa vida e quanto tato se precisa para os que possuem um instrumento assim, é quase incrível.
Somente espíritos de luz, podem e sabem fazer algo assim.
Então está claro, Gerhard, que o instrumento deve assimilar cientemente na vida física, toda aquela verdade espiritual que tem vivenciado pela saída do corpo.
Mas quem vive religiosamente, não se perde e quem puder entregar-se como criança, receberá uma sabedoria no espírito, como os cientistas da Terra não conhecem.
Uma vez que isto for alcançado, todo o perigo desaparece e o médium vai passar cientemente na nossa vida,”
“Meu Deus”, eu disse, “que posse!
Já na Terra, saber tanto da nossa vida!
Não há mais ameaça de perigo para ele, irmão?”
“Não, Gerhard, esse perigo ele venceu, para ele, o perigo não ameaça em nada.
Ele é ciente e, quem está ciente da sua situação, vive e carrega isto como posse eterna.
Seu amigo se livrou de prazeres físicos e desejos.
Ele só vive para o seu líder, seus dons e para o impulso de poder fazer algo para a humanidade; isso destrói todo o perigo.
Ele vive como um instrumento tem que viver se quiser realizar algo como médium.
Você vê o que se realizou aqui.
Os homens na Terra, porém, não o aceitarão ainda, porque o que eles querem mesmo é ver e ouvir.
Ele entrou bem fundo na nossa vida, mas o Homem que vive e pensa fisicamente, não pode sentir a santidade da nossa vida.
Mesmo assim muitos serão alcançados e esses poucos nos ajudarão a divulgar o espiritualismo na Terra.
Nesse serviço pode descansar a benção de Deus, mas também poderá ser uma blasfêmia e isso fazem os que se perdem.
Devem ser fortes para carregar a prosperidade como se diz, pois muitos podem e só dessa forma, muito será realizado.
Mais uma vez, Gerhard, não se preocupe com ele; ele está em boas mãos.”
Essa foi a primeira vez, Jozef, em que eu o encontrei na Terra após a minha morte.
Grande, santo e puro são esses dons que o Homem tem recebido de Deus.
Os seus dedos voavam sobre a máquina de escrever e no tempo em que eu estive com você, escreveu dez folhas grandes, inteiras.
Logo, uma parte estaria registrada.
Eu o conheci na Terra e sabia quem você era.
Você nunca aprendeu seja o que for, mas agora saber fazer isso, para mim era maravilhoso.
Agora, eu mesmo vivenciava aquilo que eu via.
As palavras que eu falei para você, no cemitério, flagelavam a minha alma.
Como era santa a vida espiritual e o espiritualismo; eu gostaria agora de repetir esta frase mil vezes.
Ao seu redor havia uma grande tranquilidade, a tranquilidade do espírito, que trabalhava através de você e que era o seu líder.
Eu sentia agora que o irmão queria ir embora; mas eu não conseguia me livrar de você.
Eu queria ficar aqui mais tempo, mas tinha que finalizar.
Enriqueci-me com mais uma ciência e, agora, não era mais uma decepção que você não percebia a minha presença.
Eu entendi a grande dificuldade de ser médium na Terra.
Para poder fazer viagens na nossa vida e, mesmo assim, continuar a viver lá, Jozef; para mim foi um enigma como você pôde suportar.
Mesmo assim, eu o senti e não mais sentia medo, é que você estava tendo cuidado.
Após nós nos despedimos de você e do mestre.
No caminho perguntei várias coisas ao irmão, que ele me esclareceu e, só então, eu estava sossegado.
Depois, visitámos cemitérios e vimos, lá, os homens terrenos que iam visitar os túmulos dos seus entes queridos.
Todavia vi cenas horríveis, mas por que eles os procuram lá?
É que eles não estão ali!
Coloquem as suas flores ao lado do retrato deles, onde eles viveram, trabalharam e falaram com você, porém não ponha essas flores caras nos túmulos onde só descansam ossos.
Isso entristece o espírito que vive neste lado.
Isso eu quero exclamar deste lado, aos homens.
Eles visitam seus mortos, e ao seu lado, numa luz e numa veste linda, andam os que se juram mortos.
Não é triste que disso não se saiba nada na Terra?
Quando, naquele cemitério, falei com você sobre todas essas coisas, Jozef, - eu já disse - falei a grande verdade, que ossos não podiam falar.
Eu zombava e eu não o podia ter feito.
Com os homens que choravam, eu vi o espírito que estava triste, porque ele não podia alcançá-los.
Vi várias situações ali, das quais uma mexeu comigo profundamente.
Sobre isso lhe contarei.
De repente, lembrei-me do meu próprio corpo físico.
Onde estava a minha veste?
Foi enterrada neste cemitério?
Eu olhei o meu mestre e ele sabia, na hora, o que se passava dentro de mim.
Agora entendi também, porque nós estávamos nesse lugar.
Então perguntei ao irmão: “A minha veste material está aqui?”
Meu mestre pegou a minha mão na dele e disse: “Você se sentirá forte o suficiente para ver seu próprio corpo, Gerhard?”
Eu pensei e disse: “Sim, eu quero ver o meu próprio corpo.
Agora que eu vivenciei isso tudo, também quero vivenciar aquilo, mesmo sendo horrível.”
“Venha, siga-me.”
“Como você sabe, onde eu fui enterrado?”
“Concentração meu amigo, nada mais do que força de pensamento.
Você mesmo, agora, forma a minha ligação; então, através de você encontrarei aquilo que lhe pertenceu uma vez.”
Eu tremia e sentia bater forte o meu coração.
Nós passámos por vários túmulos e até que enfim, o meu mestre me fez parar.
Eu li: Aqui jaz G.D
“A sua própria veste”, disse o irmão para mim. “o seu corpo, que escondia isso durante a sua vida terrena.”
Eu sentei à beira da minha própria sepultura e olhei para mim mesmo.
Lá estava eu, morto, mas eu vivia aqui e olhava aquilo que um dia me pertenceu.
Através da Terra, eu vi a mim mesmo em estado de decomposição.
Você pode imaginar algo mais horrível, Jozef?
Eu pensei na minha vida na Terra.
Flores enfeitavam o meu túmulo, postas ali pelos meus entes queridos.
Eu sentia os seus pensamentos de amor por mim, que tinha falecido.
Era terrível essa cena.
Por que, pensei, você me procura aqui, mãe, e não na sua proximidade?
Quantas vezes os meus entes queridos já estiveram aqui e choraram de tal maneira que eu pude sentir a sua tristeza!
Logo sobrariam só os ossos, não demoraria muito.
Mesmo querendo muito, naquele corpo eu não pude penetrar.
Algo me segurava e eu senti que era o meu mestre que me impedia.
Eu tinha tirado a minha veste terrena e recebido outra que viveria eternamente.
Meu Deus como é poderoso esse rever, como se deve sentir pequeno e mesquinho o homem que pode vivenciar isto!
Portanto eu me sentia mesquinho e pequeno também: isso me pegou de surpresa.
Mesmo sendo terrível, a imagem me foi educativa.
Aqui, a minha mãe tentava me achar, aqui corriam as suas lágrimas, mas eu nunca retornaria aqui.
Eu queria ir embora, longe daqui!
Eu pensei poder assimilar tudo isso, mas foi demais para mim.
Como Deus, Que governa tudo isso, é grande.
Você é de pó e ao pó retornará!
Eu pensei nessas palavras.
Eu era pó e me tornei pó de novo.
À beira do meu próprio túmulo, eu rezei muito intimamente, para que eu recebesse a força para abrir os olhos dos meus entes queridos.
Para isso eu rezei e o meu mestre rezou comigo.
Aqui nunca retornaria isso eu sabia e sentia.
Mãe, minha querida mãe ah, não venha mais aqui!
Eu vivo e estou feliz e um dia irei revê-la.
Espalhe flores em caminhos humanos quando as pessoas ainda estão em vida.
Dê amor, mãe, a tudo que vive só daí você sente a vida eterna e não me procurará mais aqui.
Você sabe que eu vivo e poderei retornar a você.
Não me procure aqui, o que está aqui não quer ver mais.
Graças a Deus eu vivo, mas o corpo lá está morto.
Mais uma vez eu fixei o olhar na minha veste e então eu fui embora dali muito rápido, para não voltar.
Então pensei em você, Jozef, e o admirei mais ainda, que você, da Terra, foi registrar a nossa vida para anunciar assim à humanidade.
Em silêncio nós fomos embora; eu estava mergulhado em pensamento profundo.
Depois visitámos círculos espirituais onde havia muitas pessoas.
Chegámos a um salão grande onde eram transmitidas mensagens através de objetos.
À volta de um médium eu vi vários espíritos que ansiavam poder entrar, porque no salão havia parentes deles.
Dessa forma, muitos foram ligados a centenas do nosso lado e muitos outros, na Terra, retornaram à casa decepcionados, porque não receberam nenhuma ligação.
Se os homens pudessem perceber quantos espíritos estavam lá presentes, eles não acreditariam.
Mesmo assim, poucos eram reconhecidos.
Também esse trabalho é lindo e santo, é bonito colocar-se disponível para aquilo.
Eu aprendi muito na Terra e entendi como é difícil ver e ouvir-nos.
Essa dificuldade conheci, porque o irmão me explicava tudo, agora que eu pude retornar à Terra.
De lá, visitámos outros países.
Na minha vida nunca viajei, mas agora eu fazia grandes viagens com o irmão e conheci o todo o planeta Terra.
Tudo que ele me mostrava era estranho.
Ele entrava comigo em qualquer lugar, entrávamos em palácios e outros lugares e prédios imponentes, sem sermos convidados.
No caminho, encontrei muitos espíritos, irmãos e irmãs que conheceram estes lugares, assim como eu.
Viajávamos de norte a sul, de leste a oeste.
Isso tomou um bom tempo.
Muito daquilo eu entendi e vi coisas estranhas.
Eu vi cenas que aqui não quero descrever, pois eu vi a verdade da vida na Terra e também os seus horrores.
Ai daquele que se esquece!
Quando se vive como os homens que eu vi, é certeza que eles entrarão nas esferas da escuridão.
Então verão ouvirão e sentirão o que fizeram de mal.
De repente, o irmão disse-me: “Aqui ficaremos um pouco.”
Eu olhei à minha volta, para ver o que ele queria me mostrar.
Porém, ele não disse nada e estranhei isso, porque sempre me explicava tudo.
Comecei a ver onde eu estava e, lá, diante de mim, vi você.
Que surpresa!
“Jozef”, eu exclamei, “sou eu!”
Imediatamente você me sentiu e disse: “Rapaz, é você mesmo?
Eu recebi a sua notícia, Gerhard, como você mudou!”
Cheio de gratidão abracei o irmão.
Sem perceber retornamos a você e, no lugar, onde você participava da sessão.
Também isso era estranho para mim, que se podia reencontrar tudo tão rápido.
Depois, o irmão me ajudou a ligar-me a você.
Eu ouvi você falar comigo e você sabe que eu não pude falar muito, o que, também, para mim foi uma decepção.
Mas, quando tomei conhecimento, do por que não conseguir e nem poder falar muito, fiquei grato.
Porém, você não entendeu e só agora chegou o momento de lhe poder contar.
Agora, você também sabe, porque aquela semana toda eu não vim até você.
Eu estava em viagem com o irmão, mesmo assim, eu já tinha estado ali, mas não fui ligado a você.
A noite toda, eu estava ao seu lado e, quando chegou ao fim, nós fomos embora.
Só depois fiquei sabendo que, se eu me pudesse aguentar de pé, eu poderia retornar, para através de você, contar da minha própria vida, assim como o seu líder fez.
O irmão já sabia há tempo, porque o mestre o participou daquilo.
Você já sabe o que aconteceu e agora posso continuar.
Mas isso quero dizer-lhe antes de continuar: Como se enxerga longe neste lado, Jozef!
Não é maravilhoso?
Quando eu ainda vivia na Terra, neste lado já sabiam o que iria acontecer.
Na volta à minha própria esfera, o irmão me contou deste grande acontecimento.
Como eu fiquei feliz quando ouvi aquilo.
Os grandes líderes espirituais, você os conhece, disseram ao irmão que eu podia preencher uma parte do livro.
De fato, quando eles querem, um espírito elevado pode enxergar centenas de anos à frente.
Então, quando eu retornei à minha esfera tinha muito, muito mesmo a pensar.
Para isso eu procurei o silêncio da natureza e lá eu apreendi tudo.
Demorou meses, mas quando finalmente, eu estava pronto, chegou o tempo de descer às trevas.
Agora eu estava preparado, Jozef; primeiro pela escola, depois pela vid Terra e qua a na ndo eu vivenciei tudo, até o mais fundo da minha alma, até que enfim, fiquei pronto para trabalhar para outros e a mim mesmo.
Também, naquele tempo, eu conversei com as pessoas que eu encontrei; agora elas não poderiam mais influenciar-me, pois agora eu estava firme no caminho espiritual.
Dentro de mim algo começou a derreter; eu aprendi a conhecer a mim mesmo.
Às muitas pessoas com quem puxei conversa, contei daquilo que eu pude vivenciar.
Imagine que também elas riram de mim e não quiseram e nem puderam aceitar.
Esses eram os mortos vivos; eles já ouviram isso mais vezes, mas não acreditavam.
Eram homens que, por enquanto, não acordariam.
Agora, olhava através deles e conhecia a sua sintonização.
Eles me chamavam de vigário, porque ainda estava vestido de preto.
Também aqui se pode fazer brincadeira ou zombar.
Mas você sente que eles zombam de si mesmo.
Eu deixava-os rir à vontade; por enquanto eles ficariam rindo.
Eles já se encontravam há anos nesta situação pouco adiantada.